Ele começou a se debater na cama, a boca dele estava esbranquiçada e espumava, eu não perdi tempo logo procurei pelas chaves, elas estavam escondidas num vaso de flor que havia na sala, infelizmente não consegui achar as chaves do carro mas nas condições que meu ombro estava, eu não ia conseguir dirigir, sai correndo do prédio até que esbarrei em alguém, era ele, a pessoa que eu mais odiava estava passando por ali pra minha sorte.
Roberto: Filha?? Meu Deus o que houve? Você tá machucada!
Júlia: Me tira daqui, preciso ficar longe daqui.
Roberto: Claro!! Vamos pra um hospital logo!
Ele parou um táxi e me ajudou a entrar nele, eu apenas chorava muito.
Roberto: O que houve pra você estar toda machucada assim?
Júlia: Não quero falar nisso.
Chegamos no hospital e meu pai me ajudou a dar entrada, fui fazer corpo de delito e foi comprovado que fui espancada. Tive que fazer uma micro cirurgia no ombro pra conseguir chegar com ele no lugar, logo eles me internaram, eu estava no quarto quando meu pai entrou.
Roberto: Tá melhor?
Júlia: Uhum.
Roberto: Por favor filha, me conta o que houve? Quem fez isso com você?
Júlia: Meu namorado. Eu estava vivendo um inferno ao lado dele, assim como minha mãe viveu um inferno com você.
Roberto: Para de falar isso, sabe que nunca fui capaz de bater na sua mãe.
Júlia: Não é isso que ela me contou quando estava morrendo.
Roberto: E por acaso ela te contou que não sou seu pai?
Júlia: Como assim?
Ele puxou uma cadeira e começou a me contar:
Roberto: Sua mãe me traiu, uma única vez, mas nessa única vez eu fiquei sabendo. Mas eu não tive coragem de bater nela ou coisas do tipo, eu a perdoei. Depois de alguns meses ela descobriu que estava grávida, eu prometi a ela que cuidaria de você como se fosse minha filha, você nasceu e nos trouxe uma paz tão grande, mas sua mãe nunca teve jeito, continuou me traindo e por muito tempo eu não soube de nada, até que eu a peguei no flagra com aquele maldito homem que se levantou da cama e sacou uma arma na minha direção, ele atirou. Mas ela, a sua mãe que tanto me traía ainda teve coragem e entrou na minha frente. Aquele desgraçado é seu verdadeiro pai, fugiu, quando a polícia chegou no local, eu estava com a arma nas mãos então me acusaram de ter matado ela, paguei por muito tempo na cadeia por uma coisa que não fiz, mas não queria que você soubesse disso nunca.
A essa altura eu já chorava.
Júlia: Eu vi ela morrer no hospital, ela me disse que meu pai era um covarde e que a maltratava muito, mas então quer dizer que não era você?
Roberto: Não... Eu nunca fiz nada de mal pra ela.
Eu chorava muito, estava envergonhada por maltratar meu pai, quero dizer o Roberto, eu não sabia disso e se soubesse nunca ia tratá-lo daquele jeito. Roberto se aproximou de mim.
Roberto: Posso te abraçar?
Júlia: Claro....
Nos abraçamos e choramos muito. Aproveitei e contei tudo que estava sofrendo nas mãos de Carlos.
Roberto: Eu acabaria com a vida desse desgraçado, mas a essa altura ele deve tá morto né?
Júlia: Não queria que terminasse assim...
Roberto: Mas teve que terminar, ou era você ou ele.
Júlia: Me empresta o celular? Preciso ligar pra uma pessoa.
Roberto: Claro!
Ele me deu o celular e eu disquei o número.
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